Na manhã de 5 de dezembro de 2025, o mundo da arquitetura perdeu uma de suas vozes mais audaciosas e transformadoras. Frank Gehry morreu aos 96 anos, em sua casa em Santa Monica, após uma breve doença respiratória. A notícia trouxe comoção geral: perdeu-se não apenas um arquiteto, mas um verdadeiro artista da forma e do espaço.
Gehry não projetava “apenas prédios” criava esculturas habitáveis, espaços que respiravam, provocavam sensações e desafiavam a rigidez tradicional da arquitetura. Ele mostrou que edifícios poderiam ser poesia concreta, com curvas ousadas, metal brilhante, vidro e volumas inesperadas. Seus projetos marcaram profundamente o final do século XX e início do XXI, redesenhando não apenas skylines, mas também o modo como vivemos e percebemos os espaços urbanos.
Entre suas criações mais emblemáticas estão o Guggenheim Museum Bilbao, na Espanha — um colosso revestido de titânio, com formas fluídas que parecem desafiar a gravidade — e o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, onde a arquitetura abraça a música num diálogo entre forma, som e cidade. Essas obras não são meros prédios: são ícones culturais, símbolos de reinvenção — de cidades e de expectativas sobre o que é possível fazer com arquitetura.
Mas Gehry não chegou lá de forma imediata. Nascido em Toronto e tendo crescido imerso numa cultura de reconciliação entre arte e vida, ele rumou a Los Angeles, formou-se em arquitetura, trabalhou por anos em projetos modestos, até decidir seguir sua própria visão — uma visão livre, experimental, transgressora. Ele misturava materiais humildes e industriais, desafiar convenções e investia pesado na imaginação. Essa coragem fez dele um dos nomes mais influentes e distintos do seu tempo.
Seu legado não é apenas visível nas fachadas curvas ou nos interiores arrojados. Está também na inspiração que continua ecoando: para arquitetos, designers e sonhadores. Gehry provou que a arquitetura pode — e deve — emocionar. Que prédios não precisam ser previsíveis, mas podem surpreender, encantar, transformar. Que cidades podem renascer com um único edifício que tem alma, que quer conversar com as pessoas.
Com sua partida, fecha-se um capítulo importantíssimo da arquitetura contemporânea — mas o legado permanece vivo. Cada linha ousada, cada superfície metálica, cada espaço reinventado pelas mãos dele vai continuar falando por ele. Gehry nos deixou prédios, mas sobretudo ideias: de liberdade, de arte, de futuro.
Ele se foi — mas deixou ao mundo um caleidoscópio de formas, sonhos e possibilidades. E é assim que, mesmo ausente, Gehry continua presente, em cada curva ousada que desafia a gravidade e o convencional.